Nascido no Uruguai, combateu pelos blancos de Aparicio Saravía e pelos maragatos federalistas do Rio Grande do Sul
Um dos personagens malditos na história do Cone Sul é o tenente-coronel Adão Latorre, ou Adán de La Torre para os uruguaios. No distante 28 de novembro de 1893, quando o Rio Grande do Sul era convulsionado pela Revolução Federalista, ele degolou dezenas de adversários que estavam presos num curral de pedras.
O episódio ficou conhecido como o Massacre do Rio Negro. O motivo: ocorreu às margens do Rio Negro, no então município de Bagé, na fronteira com o Departamento de Cerro Largo.
Descendente de negros escravizados, Adão Latorre nasceu no Uruguai, no Departamento de Rivera, em algum dia ignorado do ano de 1835. Quando protagonizou a degola coletiva no Rio Negro, lutava pelos rebeldes federalistas (maragatos do lenço
vermelho), que tentavam derrubar o governo provincial de Júlio de Castilhos (republicanos do lenço branco, apelidados de pica-paus). Depois de três dias de encarniçado confronto, os pica-paus se renderam sob a promessa de que seriam poupados. Parte deles, no entanto, foi executada por um método usual no Rio da Prata: o “degüello”.
O governo rio-grandense logo espalhou a versão de que Adão Latorre, com a sua pequena faca e a sua grande crueldade, degolou nada menos que 300 pica-paus.
O número foi exagerado, de propósito, para infamar os maragatos como bárbaros e sanguinários.
O crime realmente ocorreu, é inegável. Mas o obituário foi menor, o mais


